Em Portugal devo ter visto um ou duas mulheres trajando um véu, mas a burca para mim foi uma novidade! Nunca tinha visto ao vivo. E posso dizer que se assemelha a um casulo feito em pano, onde só existe uma pequena zona de respiração entre os olhos e o nariz. Algumas burcas podem mesmo nem ter essa zona de respiração, tendo apenas um pequeno buraco para os olhos!
A mulher esta completamente coberta, raramente é possível ver seja o que for de quem está dentro da burca.
Na noite que regressei a Portugal optei por apanhar um táxi particular, muito comum em Londres quando se pretende percorrer longas distâncias, até ao aeroporto. O condutor era um homem árabe, por preconceito ou talvez por medo hesitei antes de entrar e fiquei realmente como medo. Entretanto a conversa foi fluindo e pude esclarecer todas as minhas dúvidas sobre esta cultura tão diferente e em que o homem é o centro de tudo!
Quando perguntei qual o motivo para o uso do véu/burca, a resposta dele foi muito incisiva e directa: É UMA QUESTÃO DE RELIGIÃO!
Segundo ele, a mulher que segue a religião muçulmana não tem escolha, ela cresce com aqueles princípios que deve seguir e são apenas princípios benévolos para a mulher:
1. Segurança – Dessa forma, as qualidades das mulheres ficam menos visível o que não é tão atractivo para que os homens menos honrados lhes pudessem “fazer mal sexualmente” ou até mesmo mandar piropos e comentários desagradáveis.
2. Símbolo de religião – Quando passeámos na rua e vemos uma mulher com um véu, ou até mesmo uma burca, a sua aparência torna claro a todos, de que ela é uma muçulmana, honrada, casta e com todos os atributos que uma muçulmana deve ter.
3. Modéstia – simplicidade – serve para proteger a mulher de um dos pecados capitais – A VAIDADE!
Sempre fui muito feminista, para mim era impensável ser obrigada a usar um véu ou burca até porque a minha opinião sobre este assunto sempre foi muito negativa. Sempre achei que o hijab (termo usado quer para o véu, quer para a burca) era apenas uma forma da sociedade machista subjugar e controlar as suas mulher, manifestar o seu poder sobre elas e não as deixarem ser quem elas são, tomarem as suas próprias decisões.
Mas após esta conversar invulgar, improvável e inesperada tive acesso a um ponto de vista realmente diferente do meu. E até faz sentido, claro que nunca usaria, mas pelo menos agora parece-me mais fácil poder compreender os motivos.
Aquele taxista será certamente alguém que jamais esquecerei, e este será um dos episódios que marcará para sempre a minha viagem a Londres.
Ahh, outra das coisas que fiquei a saber também é que as mulheres muçulmanas não usam o hijab em casa e que era permitido á família e ao marido vê-las sem o véu.
Cada vez mais eu percebo que por vezes as nossas opiniões são infundadas, ou até mesmo desadequadas. Tudo depende do contexto em que estamos inseridos ou daquilo que nos ensinaram que era certo.
Continuo sem ter fé nas religiões, muitas delas provocam ódio, dor, competitividade – tudo aquilo que DEUS não aprovava!
E afinal onde está a fé? Está dentro de cada um de nós independentemente da religião. Bom seria se todos se respeitassem as opiniões dos outros e conseguissem chegar a um entendimento mas a humanidade ainda não evoluiu a tal ponto.
Até já,
VR
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