Hoje li uma notícia que me fez pensar...
Na Notícias Magazine por Ricardo J. Rodrigues foi abordado o tema da pobreza na actualidade de Portugal, penso que todos devem ler esta notícia. É realmente pertinente, incomoda e embora muita gente faça de conta que esta realidade não existe, não é por isso que ela deixa de existir:
«Boa tarde. Encontro-me numa situação muito difícil. Sou empregada de escritório, divorciada, tenho dois filhos menores. Para fazer face a todas as despesas (de água, luz, habitação) resta-me muito pouco para a alimentação. Gostaria de saber quais as condições necessárias para receber ajuda alimentar. Estamos a passar fome e precisamos da vossa colaboração.»
Este foi um dos milhares email que o Banco Alimentar Contra a Fome recebeu e que foi publicado nesta notícia. Permite-me a mim, como leitora, perceber que realmente existem cada vez mais casos de pessoas "como nós" a passar fome! Sim, a passar fome! Não estamos a falar de pessoas que não podem ir ao cinema ou que não podem comprar luxos, mas sim de comida - um bem essencial a sobrevivência de qualquer ser humano. Isto choca-me e preocupa-me muito...
Novos Pobres
Foi na primeira década deste século que nos surgiu uma nova figura social - os novos pobres.
Gente qualificada e habituada a um nível de vida confortável, que perdeu poder de compra e empobreceu repentinamente. Por culpa da crise, da precariedade laboral, do endividamento, de um divórcio, do desemprego. Muitos novos ricos são hoje novos pobres. E um dos traços mais distintos dos neo-aflitos é precisamente o de serem indistintos. Estas pessoas têm bom aspecto, casa, carro, telemóvel, internet. Mas passam fome.
À primeira vista, qualquer um de nós pensa que esta necessidade/angústia é auto-inflingida. No entanto a presidente do Banco Alimentar Conta a Fome, Isabel Jonet, associa esta pobreza económica a uma pobreza de espírito. (Concordo totalmente)
«Estas pessoas estão endividadas porque, durante anos, lhes foi vendido um sonho de um mundo maravilhoso que não é real. Quando acordam, percebem que foi tudo uma ilusão. Os novos pobres já tiveram acesso a bens de consumo, depois perderam-no. E agora tentam disfarçar, têm vergonha do seu novo estatuto social.»
Situações CHOCANTES
Ao fim de três dias sem comer, H. decidiu finalmente pedir ajuda. Chegou a um refeitório social no Porto, sentiu as pernas fraquejarem assim que o mandaram sentar, lembra-se que mal tinha forças para segurar a colher da sopa. Os dias anteriores tinham sido um suplício. «Há técnicas para enganar a fome, sabe? Beber café ou chá, beber muita água, comer papel, comer pacotes de açúcar ou aqueles saquinhos de ketchup que oferecem no McDonalds.» Ri-se. «Ao que eu cheguei.»
«Perdi dez quilos nos últimos oito meses», assume. «Não tinha o que comer.»
«Depois comecei a comer dia sim, dia não, a ver se me habituava. Desmaiava muitas vezes, quando estava a trabalhar. E um dia perdi finalmente a vergonha. Entrei no refeitório de Rio Tinto e pedi comida.» Desde então vai lá todos os dias, recolher o almoço. Não come ali, não se quer misturar. E também porque, da refeição que lhe dão, ela consegue inventar três. Um almoço para ela, que o filho tem alimento na escola, e dois jantares à noitinha.
«Ontem comecei a comer o almoço e soube-me tão bem que me apeteceu comê-lo todo. Mas eu não podia, eu não posso. O que é que hei-de fazer à minha vida?»
Confesso que esta notícia me deixou em lágrimas, estupefacta. Claro que tinha ideia de que existissem pessoas a passar fome e cada vez mais (com a crise em que nos encontramos)... Mas estas realidades fizeram-me pensar, e muitooo...
Cada vez que me for queixar ou sequer pensar nisso, vou ter estes indivíduos na minha memória.
É o chamado "momento da bofetada" mental. Claro que temos de viver a nossa vida, aproveitar aquilo que temos e ser gratos por isso, mas será que "Alguém que conhecemos passa fome. E nem sequer tínhamos reparado."?
Reflictam sobre isto,
VR.
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